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O QUE COSTURAMOS QUANDO COSTURAMOS?

Histórias, memórias e afetos entre linhas e agulhas




Minha avó era uma lindeza! Foi com ela que aprendi a costurar e a bordar. Passávamos tardes inteiras no seu quartinho de costura, com a porta aberta para deixar o sol entrar e para vermos os cachorros brincando no gramado do quintal.



Um suporte de vidro transparente e facetado abriga várias tesouras vintage com cabos decorativos em tons de bronze e prata. Em primeiro plano, sobre um tecido branco, estão um dedal e um carretel de linha preta. O fundo é composto por papel pardo amassado e folhas verdes, misturando elementos rústicos e delicados.


Pensando com os meus botões

Dia desses eu estava organizando minhas linhas em uma NOVA lata fofa que comprei em Cannes e fiquei pensando sobre o que costuramos quando costuramos...


Minha cabeça voou para um passado não muito distante onde eu ensinava a Marina (que é bisneta da minha avó, e então com 4 ou 5 anos de idade), a bordar seus chinelinhos Havaianas, em uma tarde ensolarada. Ela muito concentrada, segurando com destreza a agulha que furava as tiras do chinelo e, com a outra mão, colocando as miçangas coloridas, uma a uma.


No final das contas, costurar e bordar são gestos muito parecidos: existe um movimento ritmado que nos enfeitiça no caminho da agulha que entra e sai do tecido (ou de outro suporte), tem a textura e a cor dos fios que escolhemos para o trabalho, a respiração que ganha um compasso muito particular.


Costurar e bordar condensa o tempo. Aliás, praticamente esquecemos dele, enquanto materializamos o tema, enquanto costuramos/bordamos sentimentos. É uma forma de meditação que exige completa entrega e, de presente, nos traz paz.


Close-up de materiais de bordado sobre um tecido branco levemente ondulado. Em destaque, diversas meadas de linha de algodão em tons terrosos (marrom, ocre e creme), um carretel de madeira e as pontas de uma tesoura de metal. A luz é suave, realçando as texturas das fibras.


Mas, então, o que costuramos enquanto costuramos?

Antes de tudo, penso que costuramos/bordamos histórias. Porque em cada trabalho colocamos recordações e afetos. Tem, também, um tantão da identidade de quem costura/borda na escolha das cores e fios, nas técnicas, nos padrões (ou na falta deles).


Um vestido pode dizer muito sobre uma celebração.


Uma colcha pode contar sobre gerações de uma família.


E, no final, tudo é um registro têxtil que amarra as histórias que vivemos com aquelas que nos contaram.


Acredito que costurar/bordar não é só um ato criativo ou narrativo, mas sim um gesto simbólico que transforma a matéria, mas, principalmente, transforma quem faz o ponto.


Sete tesouras vintage de diferentes tamanhos e formatos dispostas verticalmente sobre um tecido de linho claro. As tesouras variam de modelos industriais robustos a pequenas tesouras de bordar com cabos ornamentados, exibindo pátina e sinais de uso que sugerem uma história de trabalho manual.


Para não esquecer

Minha avó dizia que “cada pontinho que fazemos é um pensamento bom que dedicamos a alguém”. E eu levo isso muito a sério, mesmo.


Talvez no meu próximo trabalho eu esteja justamente pensando em você e costurando um pouco da nossa história.


Detalhe aproximado de um bordado manual em linha preta sobre tecido branco. O bordado reproduz um olho humano com traços finos e expressivos, assemelhando-se a um desenho a bico de pena. Abaixo do olho, há palavras escritas à mão diretamente no tecido ("...sombras"), e um dedo aparece no canto esquerdo segurando a peça.


Arremate

Tem quem costure para suturar coisas ou emoções.

Tem quem costure para sobrepor sentimentos.

Tem quem costure para dizer: Estou aqui.

Tem quem costure para gritar o que a voz não pode dizer.

Tem quem costure para falar de quem veio antes de nós.

Tem quem costure para criar silêncios.

Tem quem costure só para ver beleza num dia chuvoso.


Não importa qual caminho escolhemos, ele será sempre uma conexão entre o instante e a permanência, porque é você quem fica para sempre, ao dar o último ponto.


Costurar e bordar para sempre serão remédios que desafiam o esquecimento.

 

Composição de estilo flat lay sobre fundo branco. No canto inferior esquerdo, um pequeno retrato antigo e circular de uma mulher de época. Ao redor, estão espalhados vários carretéis de madeira com linhas em tons de bege, um dedal de metal envelhecido e ramos de flores secas dispostos diagonalmente, evocando uma sensação de memória e tempo pausado.


Se você gostou desse post, considere compartilhar nos comentários suas memórias que ganham forma entre linhas e agulhas, e aproveite para me contar com quem você aprendeu a costurar e/ou bordar.



 


Beijim,


rubrica madame

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MADAME PAGU

ARTES VISUAIS & OUTRAS DROGAS

Madame Pagu is an Independent Practice based in Italy, investigating the intersections of power, identity, and memory through visual and sonic inquiry

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