O QUE COSTURAMOS QUANDO COSTURAMOS?
- Madame Pagu
- 11 de fev.
- 2 min de leitura
Histórias, memórias e afetos entre linhas e agulhas
Minha avó era uma lindeza! Foi com ela que aprendi a costurar e a bordar. Passávamos tardes inteiras no seu quartinho de costura, com a porta aberta para deixar o sol entrar e para vermos os cachorros brincando no gramado do quintal.

Pensando com os meus botões
Dia desses eu estava organizando minhas linhas em uma NOVA lata fofa que comprei em Cannes e fiquei pensando sobre o que costuramos quando costuramos...
Minha cabeça voou para um passado não muito distante onde eu ensinava a Marina (que é bisneta da minha avó, e então com 4 ou 5 anos de idade), a bordar seus chinelinhos Havaianas, em uma tarde ensolarada. Ela muito concentrada, segurando com destreza a agulha que furava as tiras do chinelo e, com a outra mão, colocando as miçangas coloridas, uma a uma.
No final das contas, costurar e bordar são gestos muito parecidos: existe um movimento ritmado que nos enfeitiça no caminho da agulha que entra e sai do tecido (ou de outro suporte), tem a textura e a cor dos fios que escolhemos para o trabalho, a respiração que ganha um compasso muito particular.
Costurar e bordar condensa o tempo. Aliás, praticamente esquecemos dele, enquanto materializamos o tema, enquanto costuramos/bordamos sentimentos. É uma forma de meditação que exige completa entrega e, de presente, nos traz paz.

Mas, então, o que costuramos enquanto costuramos?
Antes de tudo, penso que costuramos/bordamos histórias. Porque em cada trabalho colocamos recordações e afetos. Tem, também, um tantão da identidade de quem costura/borda na escolha das cores e fios, nas técnicas, nos padrões (ou na falta deles).
Um vestido pode dizer muito sobre uma celebração.
Uma colcha pode contar sobre gerações de uma família.
E, no final, tudo é um registro têxtil que amarra as histórias que vivemos com aquelas que nos contaram.
Acredito que costurar/bordar não é só um ato criativo ou narrativo, mas sim um gesto simbólico que transforma a matéria, mas, principalmente, transforma quem faz o ponto.

Para não esquecer
Minha avó dizia que “cada pontinho que fazemos é um pensamento bom que dedicamos a alguém”. E eu levo isso muito a sério, mesmo.
Talvez no meu próximo trabalho eu esteja justamente pensando em você e costurando um pouco da nossa história.

Arremate
Tem quem costure para suturar coisas ou emoções.
Tem quem costure para sobrepor sentimentos.
Tem quem costure para dizer: Estou aqui.
Tem quem costure para gritar o que a voz não pode dizer.
Tem quem costure para falar de quem veio antes de nós.
Tem quem costure para criar silêncios.
Tem quem costure só para ver beleza num dia chuvoso.
Não importa qual caminho escolhemos, ele será sempre uma conexão entre o instante e a permanência, porque é você quem fica para sempre, ao dar o último ponto.
Costurar e bordar para sempre serão remédios que desafiam o esquecimento.

Se você gostou desse post, considere compartilhar nos comentários suas memórias que ganham forma entre linhas e agulhas, e aproveite para me contar com quem você aprendeu a costurar e/ou bordar.
Beijim,





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