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SÓ CINCO MINUTINHOS

Como a escrita à mão pode trazer equilíbrio em tempos de excesso de telas




Tem um montão de gente falando que está cansada do digital. Na pandemia de 2020 foi meio que obrigatório mergulhar no mundo virtual, porque era a maneira mais segura de manter contato com as pessoas do próprio círculo de amigos e família, mas também foi um momento em que o aprendizado migrou para dentro do computador, dos tablets e dos telefones. Fizemos novas amizades e começamos a ter ainda mais contato com o modelo de redes sociais. Seis anos já se foram e agora todo mundo busca uma forma de se salvar das telas viciantes.



Uma composição visual densa e repetitiva formada por centenas de teclas de teclados de computador antigos, organizadas como um mosaico. A maioria das teclas possui tons de bege, cinza e creme, típicos da tecnologia das décadas de 80 e 90. No centro da massa uniforme, destacam-se algumas teclas em cores vibrantes, como amarelo e verde-água. A imagem remete à obsolescência tecnológica, à comunicação em massa e à individualidade dentro de sistemas coletivos estruturados.


Pequenos prazeres analógicos

Aqui em casa as coisas analógicas sempre tiveram um lugar de destaque, ainda que eu seja uma grande apaixonada e curiosa das ferramentas e possibilidades que o mundo digital oferece.


Tarefas que exigem manualidade sempre me encantaram e, sem dúvida, a escrita descompromissada sempre esteve na minha longa lista de pequenos prazeres analógicos.


Tanto que há muitos anos pesquiso a respeito do tema: mais especificamente sobre a escrita que chamam “de verdade”, aquela de caneta e papel. 



Os benefícios em escrever

Sempre estou pesquisando sobre formas de escrita, tipografia, lettering, caligrafia e por aí vai. E nessas minhas andanças de curiosa, fiz uma pequena lista dos benefícios que a escrita à mão pode oferecer:


1.      Organizar pensamentos

Diante de um desafio, colocar ideias no papel ajuda a dar clareza sobre as alternativas que temos para escolher e quais as consequências de cada uma delas, além de reduzir a confusão mental. É tipo uma bola de cristal em forma de caneta e papel.

2.      Reduz estresse e ansiedade

Está em tilt? Então, senta e escreve. Você não precisa estar em um lugar especial, ouvindo aquela música perfeita, com a caneta da cor certa: você só precisa começar a escrever. Escrever sobre sentimentos ou preocupações é uma forma poderosa de liberar tensão.

3.      Estimula criatividade

Outra coisa bacana é que você não precisa escrever pensando que vai ganhar o Prêmio Pulitzer amanhã. Aliás, você nem precisa mostrar para ninguém o que escreve. Sabendo disso você vai escrever sem censura, e, seguramente, ativar novas conexões e insights dentro dessa sua cabecinha linda.

4.      Melhora a memória e aprendizado

Para as esquecidas aqui está um santo remédio: escrever.

Anote tudo o que for importante para você, porque isso reforça as informações que você precisa ter em mente em primeiro plano e ainda ajuda na retenção.

5.      Fortalece a autopercepção

Escrever ainda é uma das melhores ferramentas para o autoconhecimento. Pegue sua caneta preferida e o seu caderno, e comece a escrever sobre experiências e emoções. Isso vai te ajudar a se conhecer melhor.


Vista aérea em estilo flat lay de uma mesa de trabalho cinza com estética de arquivo ou escrivaninha de pesquisador. Sobre a superfície, encontram-se uma xícara de café, uma carta antiga escrita à mão, fotografias vintage em preto e branco, pequenos envelopes e ramos de flores secas dispostos de forma organizada. A imagem evoca uma atmosfera de investigação histórica, nostalgia e o registro documental de memórias pessoais.

Tantas técnicas

Se você continuar seguindo os posts desse blog, seguramente vai ver outros textos que vão te dar métodos diversos para te ajudar a escrever como forma de exercitar e desenvolver suas ideias, e de conhecer a si mesma.


Hoje quero te convidar a conhecer o método Five Minutes Morning, que popularizou a ideia de usar cinco minutos para escrever reflexões e definir intenções logo cedo. A proposta é fácil: dedicar poucos minutos para organizar pensamentos e começar o dia com clareza.


É bem simples: todos os dias ao acordar (e antes de sair da cama) você marca no relógio 5 minutos, pega seu caderno e sua caneta e começa a escrever. Sem outras regras. Sem julgamentos. Só escreva. Ao acabar o tempo, você simplesmente fecha o caderno e vai viver a sua vida.


Quando praticamos isso, a nossa mente começa a estabelecer conexões com informações que já foram armazenadas, e esses links tendem a nos dar mais clareza sobre eventos que analisamos e sobre decisões que devem ser tomadas.


Fotografia minimalista e serena com foco na parte inferior da composição. Um copo de cerâmica artesanal com textura rústica e tons terrosos repousa sobre um livro de capa dura azul-claro. O conjunto está posicionado sobre uma mesa de madeira escura, contrastando com um fundo de parede branca lisa e desfocada. A imagem sugere um momento de pausa, estudo solitário ou introspecção intelectual.


Sempre tem algo que funciona para você

Apesar de o método ser superbacana, não funcionou bem para mim, porque sou uma pessoa notívaga. Em outras palavras, pela manhã não tenho problemas de humor, mas, onde quer que eu esteja, estou só de corpo presente...


Então adaptei o método para que ele funcionasse à noite, ou seja, faço exatamente a mesma rotina, mas quando estou na cama, pouco antes de dormir.


Talvez você possa pensar que nem uma nem outra alternativa funciona para você, pois você precisa de uma ajudinha para colocar a caneta no papel.


Lembre-se que a escrita é uma das formas mais poderosas de dar contorno ao que sentimos e de mapear as dinâmicas que nos cercam.


Então aqui vão alguns prompts que você pode usar para começar:

1. O Mapa

Escreva sobre três situações recentes em que você se sentiu plenamente no controle das suas escolhas e três em que sentiu que sua vontade foi mediada por terceiros. O que mudou no seu corpo e no seu tom de voz em cada cenário?

2. A Carta à Autoridade

Escreva uma carta (que nunca será enviada) para alguém que represente uma figura de autoridade na sua vida (passada ou presente). Diga exatamente o que você sente que nunca teve "permissão" para dizer.

3. As Máscaras Sociais

Quais "personagens" você interpreta para navegar em diferentes hierarquias (trabalho, família, amizades)? O que cada máscara protege e o que ela esconde?

4. O Inventário do "Não"

Lembre-se de um "não" que você teve dificuldade em dizer. Escreva sobre as consequências imaginárias que te impediram e compare-as com o que realmente aconteceu (ou aconteceria).

5. Diálogo com a Vulnerabilidade

Personifique a sua vulnerabilidade. Se ela fosse uma pessoa sentada à sua frente agora, qual seria a primeira reclamação dela sobre a forma como você a trata?

6. A Reescrita do Passado

Escolha um momento da sua história onde você se sentiu impotente. Reinterprete essa cena sob uma nova luz: quais ferramentas de resistência você usou ali, mesmo sem perceber na época?

7. O Espaço de Pertencimento

Descreva, com o máximo de detalhes sensoriais (cheiros, sons, cores), um lugar onde as relações tóxicas parecem suspensas e você se sente apenas essência.

8. A Anatomia do Medo

Se o seu maior medo hoje fosse a mudança de trabalho / casa / cidade / país, como aconteceria?

9. O Legado Silencioso

Quais crenças sobre o que você "pode" ou "não pode" fazer foram herdadas da sua árvore genealógica? Escreva sobre qual dessas leis você está pronta para revogar.

10. A Versão Potencializada

Se você acordasse amanhã com 100% de confiança na sua própria influência e valor, qual seria a primeira conversa difícil que você teria e como ela começaria?


Plano médio de duas mãos segurando delicadamente um maço de flores secas e finas contra uma parede clara. A iluminação é dramática e lateral, projetando sombras nítidas de uma moldura de janela sobre a parede e as mãos. A composição enfatiza a fragilidade, o toque humano e o jogo entre a presença física e a efemeridade das sombras, dialogando com temas de tempo e sensibilidade.


No final das contas

Em um mundo cada vez mais dominado pelo digital, resgatar práticas analógicas como a escrita à mão é um ato de cuidado consigo mesma. Mais do que um simples hábito, escrever é uma ferramenta poderosa para organizar pensamentos, reduzir o estresse e fortalecer a criatividade. Seja por cinco minutos pela manhã, à noite ou em qualquer momento do dia, colocar palavras no papel é uma forma de dar voz ao que muitas vezes fica perdido entre notificações e telas. No fim, não se trata de abandonar a tecnologia, mas de equilibrar os dois universos para viver com mais presença e clareza. E são só cinco minutinhos :)

 


Se você gostou desse post, peque sua caneta agora e comece a escrever. Talvez você queira me contar nos comentários qual o prompt que mais gostou ou, ainda, queira sugerir um novo para a nossa lista.



 


Beijim,


rubrica madame

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MADAME PAGU

ARTES VISUAIS & OUTRAS DROGAS

Madame Pagu is an Independent Practice based in Italy, investigating the intersections of power, identity, and memory through visual and sonic inquiry

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