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RETALHOS E HISTÓRIAS

Uma técnica milenar que pode revolucionar sua forma de fazer arte




RETALHOS E HISTÓRIAS
by Ryli Aiken


Cada pedaço de tecido guarda uma memória, e o patchwork é a arte de costurar tudo isso em novas narrativas. Neste artigo você vai descobrir como essa técnica milenar evoluiu ao longo dos séculos e por que continua sendo uma poderosa ferramenta para artistas e criativas.


Sempre se começa pelo primeiro passo

Se você acompanha esse Blog, já sabe que aprendi a costurar e bordar com minha avó.


Nas tardes ensolaradas em seu quartinho de costura, além de fazermos roupinhas para minhas bonecas, ela também remendava algumas peças consumidas pelo tempo.


Quando o remendo não era mais possível, ela cortava o tecido em pequenos quadrados e emendava tudo para criar uma nova peça. Eu adorava seus aventais feitos com vários cortes de jeans (um diferente do outro).


Eu ainda não sabia que aquela técnica tinha nome, nem que era algo praticado desde o Egito antigo.


Redescobrindo o patchwork

No início dos anos 1990 fui estudar nos Estados Unidos. Cheguei lá durante um inverno rigoroso e de muita neve. Minhas aulas na faculdade terminavam por volta das 14 horas e, ao contrário dos outros alunos, que corriam para casa, eu curiosava pelas ruas da cidade.


Nessas andanças, acabei entrando em uma loja especializada em quilting e patchwork, e ela acabou virando a minha segunda casa. Fiz todos os cursos que pude, aprendi muito e produzi bastante.


E esse foi só o começo.


Clareando as coisas

A etimologia da palavra patchwork nos indica que sua origem é inglesa e significa literalmente trabalho com retalhos, combinando patch (pedaço, retalho, remendo) e work (trabalho). Refere-se à técnica de unir pedaços de tecidos diversos (de diferentes cores, padrões e formas) para criar um novo tecido ou peça.


Conta a história que o patchwork tem seu registro mais antigo no Egito (século IX a.C.), e que, com o tempo, a prática se espalhou pelo Oriente, e depois chegou à Alemanha e, no século XI, à Inglaterra, sendo usada para tapetes e túnicas clericais.


Os primeiros trabalhos documentados surgiram no século XVI, na época de Henrique VIII, como presentes de casamento.


No século XVII, a técnica chegou aos Estados Unidos e Canadá, com os colonizadores, tornando-se popular entre as mulheres pioneiras, que aproveitavam retalhos para confeccionar colchas.


Detalhe em close-up de de um trabalho de patchwork em log cabin
by Giselle Nolan


Acompanhe a evolução do patchwork com essa linha do tempo:


3.000 a.C. – Egito Antigo

Vestimentas que aparecem em esculturas, indicam o uso de retalhos para roupas.


100 a.C.–200 d.C. – Mongólia

Revestimento acolchoado para piso encontrado por arqueólogos, mostrando técnica primitiva de quilting.


Século XIV – Itália

A Colcha de Tristão é uma peça de linho acolchoado com lã, retratando a lenda de Tristão e Isolda, e está preservada no Victoria and Albert Museum.


1718 – Inglaterra

Coverlet: primeira colcha conhecida feita com moldes de papel, marco do patchwork europeu.


Século XIX – EUA e Inglaterra

Popularização do patchwork com padrões icônicos como Log Cabin e Nine Patch. A invenção da máquina de costura, em 1851, impulsiona a prática.


Século XIX – Brasil

A técnica foi trazida por imigrantes norte-americanos que se estabeleceram na cidade de Americana, interior de São Paulo, após a Guerra Civil Americana (1861–1865). A prática se espalhou pelo país, especialmente em regiões onde havia forte cultura têxtil e reaproveitamento de tecidos, como o Nordeste brasileiro, onde a colcha de retalhos se tornou um símbolo cultural.


Século XX – Globalização

Patchwork se torna arte e hobby mundial, com clubes, exposições e técnicas modernas.


No Brasil, o patchwork contemporâneo somente ganha força nos anos1990, com cursos, feiras e publicações especializadas. Nesse período, passou a ser visto não apenas como reaproveitamento de tecidos, mas como arte e uma forma potente de expressão cultural.


Entendendo a diferença

Quem ainda não tem intimidade com o patchwork, pode confundí-lo com o quilting, então aqui vem o esclarecimento lembrando que, normalmente, as técnicas são usadas de forma combinada:


Patchwork

montagem de design com retalhos

 


quilting

acolchoamento de camadas

 

É uma técnica que consiste em unir pedaços de tecido para formar um design diferente e/ou maior


 

É o processo de acolchoar as camadas que compõem a peça final. Essa peça é composta de Top (que pode ser de patchwork ou tecido liso), Enchimento e Forro.

 

O objetivo é criar a parte superior da peça (o chamado top), que pode ser usada em colchas, mantas, almofadas, bolsas e outros.

 


O objetivo é dar estrutura e estabilidade à peça, além de criar efeitos decorativos com pontos que podem ser simples ou elaborados.

 

Pode ser feito à mão ou à máquina, mais comumente usado com padrões geométricos.


Pode ser feito à mão, à máquina, usando padrões ou técnicas livres para criar desenhos e texturas únicas.


Uma obra de arte têxtil abstrata, composta por quatro painéis retangulares unidos, fixada em uma parede branca lisa por pequenos alfinetes nos cantos. A peça utiliza a técnica de "patchwork" geométrico, com retalhos de tecido em tons neutros e terrosos, como bege, cinza-claro, creme e marrom.
by Floreat Forever

Alternativa artística

Gosto de pensar que o mundo nos oferece inúmeros caminhos para a expressão criativa, e o patchwork e o quilting se destacam como possibilidades poderosas para dar voz à arte.


Para quem já atua na arte têxtil ou deseja iniciar sua jornada entre tramas e fios, essas técnicas podem se tornar aliadas cotidianas, abrindo um universo de cores, texturas e densidades.


Quando unidas à sensibilidade da artista, transformam-se em instrumentos capazes de materializar conceitos e poéticas com originalidade e relevância, revelando narrativas únicas que dialogam com tradição e contemporaneidade.


O patchwork tem muitos blocos históricos como, por exemplo, o Log Cabin, que simboliza o lar e a vida familiar. O bloco é tradicionalmente construído com um centro em tecido vermelho, que simboliza o fogo na lareira, que aquece a cabana. E se você gostou desse post, já pratica ou quer conhecer mais sobre essas técnicas e como usá-las em seus projetos de arte, escreva nos comentários.

 


 


Beijim,


rubrica madame

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MADAME PAGU

ARTES VISUAIS & OUTRAS DROGAS

Madame Pagu is an Independent Practice based in Italy, investigating the intersections of power, identity, and memory through visual and sonic inquiry

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